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Sem visitas devido à pandemia, mãe do AC faz perfil da primeira filha no Instagram para família conhecer | Acre


Este é o primeiro Dia das Mães que a jovem Gyovana Costa Damasceno, de 18 anos, vai comemorar. A filha nasceu no dia 9 de abril em Rio Branco durante a pandemia de Covid-19. As duas estão cumprindo a quarentena e, devido ao coronavírus, uma das maiores tradições do pós-parto teve que ser suspensa: as visitas de amigos e familiares.

Mas, como driblar esse obstáculo e tornar o rostinho da tão esperada Helena conhecido? Gyovana recorreu à tecnologia e criou um perfil no Instagram para que os amigos pudessem conhecer essa fofurinha pela tela do celular com a devida segurança.

O perfil tem 120 seguidores, só os mais próximos, e mostra como tem sido a rotina da pequena neste um mês de vida em casa, cumprindo o isolamento com a mamãe.

“Para a família e os amigos acompanharem, temos feito chamada de vídeo, fotos e também criei um Instagram para ela e assim vai”, contou.

Foram nove meses de expectativa, planejamento e cuidados nos mínimos detalhes para a chegada do bebê. O parto correu bem e a pequena Helena nasceu saudável, mas Gyovana conta que precisou aumentar os cuidados.

“Logo no começo, fiquei bastante assustada porque era bem complicado ela vir ao mundo na situação que está, principalmente porque a gente não planejou nada disso. A gente imaginou a chegada dela de uma maneira diferente, sendo que nem visita estamos podendo receber e tivemos que redobrar os cuidados. Impossível não ficar apreensiva com essa situação toda”, disse a nova mamãe.

Sem visitas, as lembrancinhas que foram preparadas ficaram para o período pós-quarentena. “Encomendei lembrancinhas, tudo para as visitas dela, mas não saiu da maneira que a gente esperou”, contou.

A família de Helena mata a vontade de vê-la pela tela do celular  — Foto: Reprodução/Instagram

A família de Helena mata a vontade de vê-la pela tela do celular — Foto: Reprodução/Instagram

A autônoma Fabiana Lins Do Carmo, de 25 anos, também deu à luz ao primeiro filho em meio à pandemia e disse que o desafio da maternidade se tornou ainda maior por conta do cenário de incertezas causado pelo novo coronavírus.

Apesar de ter se antecipado alguns dias do planejado, Samuel nasceu no dia 26 de abril e veio ao mundo cheio de saúde.

Assim como Gyovana, Fabiana teve que guardar as lembrancinhas para entregar às visitas depois que tudo passar. Ela conta com a ajuda da sogra nos primeiros dias do bebê e também redobrou os cuidados.

“Desde que chegamos em casa, não recebemos nenhuma visita. A sorte é que minha sogra mora aqui ao lado e ela tem me ajudado esses dias. Como meu esposo continua trabalhando, fico bem apreensiva, então os cuidados aqui estão maiores, sempre passando álcool nas portas e usando máscaras”, relatou Fabiana.

Fabiana conta que chegou a ficar insegura, mas tem redobrado os cuidados com o pequeno Samuel  — Foto: Arquivo pessoal Fabiana conta que chegou a ficar insegura, mas tem redobrado os cuidados com o pequeno Samuel  — Foto: Arquivo pessoal

Fabiana conta que chegou a ficar insegura, mas tem redobrado os cuidados com o pequeno Samuel — Foto: Arquivo pessoal

A Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco, adotou uma série de medidas para tentar frear a circulação do vírus no hospital. Está proibida a entrada de visitantes antes ou depois do parto, no caso de parto normal, a gestante vai ser acompanhada pelos profissionais da unidade. Somente é permitido um acompanhante no caso de gestante que fizer cesariana.

Fluxo de entrada e saída na unidade de saúde e orientações reforçadas às mamães e grávidas são algumas das ações que estão sendo tomadas para evitar que as grávidas sejam contaminadas pela Covid-19. Como explicou o gerente de assistência da unidade, Daniel Silva.

“Quando a paciente chega no hospital, a gente tem todo um critério de avaliação para ver se tem sintomas de Covid-19. Além disso, tivemos que fazer algumas restrições de entrada de acompanhante. Agora é somente para pacientes de cesariana ou casos especiais, que são as menores e deficientes. As demais estão sendo acolhidas pela nossa equipe. Precisamos fazer isso para dar segurança para a mãe e bebê e evitar aglomeração”, disse o gerente.

Uma dúvida das grávidas neste período de pandemia do novo coronavírus é se elas pertencem ao grupo de risco, que corre maior risco de contaminação pelo novo coronavírus. A ginecologista Samara Messias explicou que as gestantes e puérperas foram inseridas no grupo de risco para Covid-19.

“Como elas passaram a fazer parte do grupo de complicações pela Covid-19, elas estão proibidas de circular, se não for estritamente necessário. Se elas saírem precisam usar máscaras o tempo inteiro, além disso, precisam carregar álcool em gel na bolsa. Toda grávida que tiver alguma complicação, como por exemplo, diabetes, hipertensão, terá que ser afastadas de seus trabalhos”, afirmou.

A especialista alertou ainda que até 45 dias após ganhar o bebê a mulher, considerada puérpera, corre risco de complicações pela Covid-19.

“Importante lembrar que elas não podem receber visita durante a internação e muito menos em casa. Quando for tocar na criança, a mãe deve sempre lavar as mãos e estar todas as vezes de máscara. Antes, falava-se que era uma doença restrita a idosos, mas agora temos notícias de crianças recém-nascidas com a Covid-19”, ressaltou.

Mamães de primeira viagem recorrem à tecnologia para exibir filhos em segurança  — Foto: Arquivo pessoal Mamães de primeira viagem recorrem à tecnologia para exibir filhos em segurança  — Foto: Arquivo pessoal

Mamães de primeira viagem recorrem à tecnologia para exibir filhos em segurança — Foto: Arquivo pessoal

Pré-natal seguro e vacinas

As consultas que antecedem o parto não devem ser evitadas, segundo a especialista. A médica explica que as unidades de saúde têm se adequado por conta do novo coronavírus, atendendo pacientes com horário marcado para evitar aglomerações.

“A consulta de pré-natal foi considerada atividade essencial. É o momento em que é verificado o peso da mãe, a pressão arterial, se o crescimento do feto está adequado e pedir os exames necessários para prevenir possíveis complicações. Então, é obrigatório que o pré-natal seja mantido, que é um cuidado com a mãe e com o filho”, disse Samara.

A especialista falou sobre a importância das grávidas e puérperas se vacinarem contra gripe. E ressaltou o uso de repelentes para evitar doenças como dengue, zika e Chikungunya.

“Elas têm que tomar a vacina contra a gripe, porque se ela adoecer, já sabemos que não é influenza. Outra coisa que não podem esquecer é com relação ao uso de repelente. Já temos confirmação de que a dengue, zika e chikungunya durante a gravidez são extremamente maléficas para o feto”, concluiu.



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