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Profissionais de saúde de Juiz de Fora contam sobre maternidade em meio à pandemia de coronavírus | Zona da Mata


Profissionais de saúde em todo o país tiveram que mudar a rotina e o convívio com a família para evitar a propagação da Covid-19.

Neste domingo (10), em que é comemorado o Dia das Mães, o G1 traz histórias de duas enfermeiras e uma médica de Juiz de Fora que estão na linha de frente do combate ao coronavírus e conciliam esse desafio com a maternidade. Confira.

‘Quero ver e dar um beijo na minha filha depois de um dia estressante de trabalho’

A enfermeira Maggie Mello trabalha todos os dias da semana em um hospital de Juiz de Fora e, desde o início da pandemia de Covid-19, a rotina, assim como de diversos profissionais de saúde do país, mudou: os cuidados foram intensificados para evitar a contaminação do vírus e o distanciamento com familiares também foi necessário.

“Tenho uma filha de sete anos de idade e ela tem asma, é do grupo de risco. Mesmo assim, não tenho condições de me distanciar dela, além de não ser fácil pela saudade, também dependeria de ter um local ou alguém para ficar com ela, e isso não é fácil”, relatou a enfermeira.

Maggie explicou que os dias são tensos pela preocupação com a contaminação do vírus e a rotina familiar teve que ser alterada. “Chego todos os dias e não posso dar um beijo nela antes de tomar um banho e retirar minhas roupas e sapatos. Querer ver e dar um beijo na minha filha depois de um dia estressante e não poder é péssimo”, desabafou.

Neste domingo, Maggie e a filha Maria Clara comemoram o Dia das Mães juntas. “Não irei trabalhar este ano na data, e vou passar junto com a minha filha, mas não poderemos nos reunir com a minha mãe, irmãs e minha sobrinha, que comemora o primeiro Dia das Mães dela. Estamos mantendo o distanciamento social, não podemos fazer um almoço e reunir muitas pessoas”, explicou a enfermeira.

Para Deise da Silva Medeiros, que é enfermeira no Hospital de Pronto Socorro Dr. Mozart Teixeira (HPS), a parte mais difícil também é a adaptação à nova rotina. “O mais difícil disso tudo é mudar os hábitos. Você chega em casa, normalmente não tirávamos nada, mas agora tem todo um ritual, tirar o sapato fora de casa, tira e roupa e coloca pra lavar antes de qualquer coisa”, explicou a profissional de saúde.

Deise da Silva Medeiros e o filho Matheus em Juiz de Fora — Foto: Deise da Silva Medeiros/Divulgação

Deise da Silva Medeiros e o filho Matheus em Juiz de Fora — Foto: Deise da Silva Medeiros/Divulgação

Deise trabalha na sala vermelha, o local para atendimento aos pacientes graves no pronto-socorro. O filho Hugo Medeiros Pessanha tem 25 anos está morando em um apartamento no Centro enquanto a mãe está em um sítio mais afastado. A enfermeira contou que eles se encontram cerca de duas vezes por semana.

Não vão passar o Dia das Mães juntos neste domingo já que Deise está de plantão no hospital. “Não vou poder ir na minha mãe, encontrar com meu filho, fazer aquela confraternização que estamos acostumados né? Mas não tem problema, já estamos nos adaptando a isso. Temos muita consciência e orientação que é importante que mantenhamos esse distanciamento”, contou.

A médica Thaís Ghetti também adotou rotinas similares à de Deise e Maggie. Thaís trabalha no Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), onde lida diretamente com pacientes e profissionais com suspeita de Covid-19.

“No HU, eu atendo funcionários e pacientes que estão com sintomas sugestivos de Covid-19 e para fazer uma triagem e ver se precisa de internação ou afastamento. Preciso usar toda a paramentação de EPI quando vou atender esse tipo de pacientes pois mesmo sendo suspeita precisamos nos proteger”, explicou Thaís.

Thaís Ghetti e o filho Théo — Foto: Thaís Ghetti/Arquivo PessoalThaís Ghetti e o filho Théo — Foto: Thaís Ghetti/Arquivo Pessoal

Thaís Ghetti e o filho Théo — Foto: Thaís Ghetti/Arquivo Pessoal

O filho Théo, de quatro anos, fica em casa. As adaptações à rotina dentro de casa foram muitas: além do cuidado com as roupas e sapatos, os alimentos são higienizados e os celulares são limpos com álcool em gel.

“Às vezes quero sentar pra brincar com meu filho, mas tenho que ir pra cozinha higienizar os alimentos. O que está sendo mais difícil é explicar pro Théo porque ele não pode sair, porque não tem escola e nem amiguinhos. Sempre tivemos uma vida social agitada e agora sentimos faltas de outras pessoas e outros lugares”, desabafou a médica.

Neste domingo, Thaís vai estar em casa com a família, para celebrar a data especial. “Vai ser um almoço simples, mas o importante é que estaremos todos juntos”.



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