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Motoristas e cobradores paralisam atividades em Juiz de Fora como protesto por atraso em salários | Zona da Mata


Motoristas e cobradores das empresas de ônibus Tusmil, Gil e Viação São Francisco paralisaram as atividades na madrugada desta sexta-feira (8) em Juiz de Fora, porque houve atraso no pagamento dos salários parciais, acordado entre os funcionários e as empresas.

A Astransp, responsável pelo consórcio Manchester, formado por Gil e Tusmil, e a Viação São Francisco, se posicionou através de nota (leia a íntegra abaixo) e informou sobre as dificuldades financeiras no momento e da atual incapacidade do pagamento em dia dos salários integrais.

Após negociação entre os empregadores e o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbano (Sinttro), a situação foi regularizada e, por volta das 8h os ônibus foram liberados das garagens.

De acordo com o Sinttro, as três empresas não cumpriram na totalidade o acordo feiro em abril com a categoria, baseado na Medida Provisória (MP) nº 936, em que ocorre a redução de jornada e 50% dos salários seriam pagos pelo Governo Federal.

O sindicato explicou que estava acordado o pagamento referente à 50% do salário na quinta-feira (7), porém só foi depositado o equivalente a 25% dos vencimentos.

Os trabalhadores se reuniram na porta das garagens das empresas. A GIL e a São Francisco foram primeiras a terem os ônibus liberados.

Na negociação na Tusmil ficou estipulado que o pagamento referente aos 25% que falta ocorrerá até a próxima quarta-feira (13).

Confome o Sinttro, a justificativa apresentada pelas empresas foi a queda na receita. Na quinta-feira(7), o G1 mostrou que os consórcios de ônibus de Juiz de Fora tiveram prejuízo de quase R$15 milhões nos últimos dois meses pela diminuição de passageiros por causa do coronavírus.

Em nota, a Secretaria de Transporte e Trânsito (Setrra) informou que a negociação foi concluída e o serviço regularizado.

“As empresas de transporte coletivo urbano de Juiz de Fora estão fazendo o impossível. Não há redução de salários, não houve demissões ou suspensão de contratos sem remuneração ou benefício, mas já ocorre a total incapacidade de pagar salários integrais em dia.

O desequilíbrio econômico financeiro dos contratos de concessão já está em pauta há dois anos, a crise econômica decorrente da expressiva queda de demanda, provocada pelas medidas de enfrentamento da pandemia de Coronavírus foi mais um golpe fatal numa conta difícil de fechar. Ainda mais inviável é operar com 65% da frota (média) arcando com respectivos custos, e 25% de passageiros pagantes, já acumulando 50 dias de sufoco. Questão simples de aritmética.

A situação está próxima do colapso, e inviabilidade de manutenção, como em vários outros setores da economia e em várias outras cidades do mundo. Já não há fôlego para um prazo definido, mas numa situação sem perspectivas a curto prazo, e com todos os compromissos básicos inviabilizados – de pagamento de fornecedores à compra de insumos indispensáveis -, todo o empenho está voltado a manter o salário dos funcionários, sendo este o pilar dos esforços de sobrevivência, seguindo com sua quitação na medida em que for possível, dia a dia, sempre pensando em milhares de funcionários e suas famílias.

Da parte do Sindicato da categoria profissional não houve compreensão quanto às dificuldades do momento, apenas pressão. Tentou-se um diálogo, até com mediação do Ministério do Trabalho, mas não houve qualquer boa vontade em reunir. As empresas operadoras pagaram perto de 50% da folha neste dia 7/5 e seguem tentando, até o limite de seus recursos, colocar o sustento de seus colaboradores como prioridade.

As empresas reconhecem e agradecem a parceria e compreensão de seus funcionários até aqui. E continuam, na certeza de, com união, vencer esta fase tão difícil que o mundo enfrenta.”



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