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Flexibilização de regras para conter a Covid-19 deve ocorrer após pico de casos, aponta estudo | Ribeirão Preto e Franca


Uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, do Hospital das Clínicas (HC) e da Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência (FAEPA) aponta que a flexibilização das regras de distanciamento social no estado de São Paulo só deve acontecer no momento em que houver queda no número de casos da Covid-19 após o pico da doença.

O estudo leva em conta a necessidade da retomada da atividade econômica, e cita que as normas restritivas não podem ser mantidas indefinidamente e sem um planejamento sistematizado para flexibilização.

Segundo o superintendente do HC, Benedito Carlos Maciel, que é um dos membros da análise, é necessário equilíbrio entre os setores produtivos, as autoridades públicas e os parâmetros estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Não há dúvida que você tem um impacto econômico que essa restrição de mobilidade determina, mas você tem que ponderar e avaliar o equilíbrio dessas duas coisas: a saúde e a restauração da economia. Essa decisão não é simples. É uma decisão que preocupa todos os dirigentes políticos do mundo todo e ela tem que ser tomada com muito cuidado”, afirma Maciel.

O estudo analisou a abrangência da doença e as medidas de restrição e reabertura em dez países afetados: Coreia do Sul, Singapura, França, Alemanha, Itália, Espanha, Dinamarca, Nova Zelândia, Reino Unido e Portugal.

Os dados foram comparados ao Brasil, ao estado de São Paulo e a Ribeirão Preto.

Clientes e feirantes usam máscaras em Ribeirão Preto — Foto: Reprodução/EPTV

Clientes e feirantes usam máscaras em Ribeirão Preto — Foto: Reprodução/EPTV

Segundo Maciel, a flexibilização foi adotada ou está sendo cogitada em países em que já houve uma fase descendente da curva, o que ainda não acontece no Brasil.

“Eles tiveram um acréscimo do número de casos, depois começou a descer. Todos eles estavam nessa situação, exceto Estados Unidos, Reino Unido, porque nos Estados Unidos vários estados já começaram a flexibilizar. O Brasil ainda está em uma fase ascendente”, diz.

Conforme o documento, nos países avaliados, a média de dias decorridos entre o primeiro caso e o pico foi de 59 dias, enquanto em Ribeirão Preto, 47 dias após o primeiro diagnóstico, o pico não foi alcançado.

Por outro lado, o intervalo entre o primeiro óbito e o pico de óbitos foi de 29 dias; em Ribeirão Preto, a primeira morte ocorreu há 40 dias.

A testagem de maior alcance também é citada no estudo. De acordo com os dados, Alemanha, Coreia do Sul e Portugal, que tiveram sucesso no combate, examinaram, em média, 3,2% da população.

No Brasil, foram submetidos a testes diagnósticos 0,16% da população e em Ribeirão Preto, 0,28%.

Desde o início de maio, pacientes com sintomas leves de gripe que procuram as unidades de saúde da cidade também estão tendo amostras colhidas para testes do novo coronavírus, de acordo com o secretário municipal da Saúde, Sandro Scarpelini.

A ação foi tomada porque a cidade tem capacidade de processar esses testes e os dados levantados serão analisados para saber quantas das síndromes gripais têm o vírus da Covid-19 e quantas são de vírus comuns.

Evolução da Covid-19 em Ribeirão Preto

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde

Na quarta-feira (6), o resultado de uma pesquisa feita pelo HC e pela Secretaria Municipal de Saúde apontou que 1,2% da população de Ribeirão Preto teve contato com o novo coronavírus, o que representa 8.305 pessoas. O índice aponta que houve baixa exposição dos moradores.

Ao analisar esse dado, o novo estudo considera que o município ainda está distante da imunidade de rebanho, que se estabelece a partir de 50% da população já contaminada, quando se considera que a epidemia está efetivamente controlada.

“Se isso subir para 3%, para 5% em um espaço curto, você pode ter um número de casos tão grande que o sistema de saúde pode ficar sobrecarregado. Isso é o que pode acontecer e é o que São Paulo está experimentando no momento”, diz.

Para o superintendente do HC, embora o comportamento da curva seja linear em Ribeirão Preto, quando não há uma explosão de casos, há crescimento constante. Em 8 de abril, o número de infectados era de 130, contra 349 em 8 de maio.

Entre os fatores que contribuem para o possível baixo índice de infecção em Ribeirão Preto são citados:

  • O distanciamento social, mesmo que, durante a semana, atinja índices em torno de 40%, e de 50%, nos feriados;
  • Maior aderência da população às medidas higiênicas e à etiqueta respiratória;
  • Redução do fluxo nas duas direções, entre São Paulo e Ribeirão Preto.
Movimento no calçadão de Ribeirão Preto com lojas fechadas — Foto: Ronaldo Gomes/EPTVMovimento no calçadão de Ribeirão Preto com lojas fechadas — Foto: Ronaldo Gomes/EPTV

Movimento no calçadão de Ribeirão Preto com lojas fechadas — Foto: Ronaldo Gomes/EPTV

Requisitos para início da retomada

Ainda conforme o estudo, na hipótese de suspensão das medidas de distanciamento social ampliado, permanece a necessidade de manter o distanciamento social seletivo para os grupos de alto risco de contágio e as medidas de etiqueta respiratória, que são as maneiras corretas de tossir ou respirar, e higienização rigorosa.

A pesquisa sugere que os planos de retomada, como observado nos países analisados, devem conter os seguintes requisitos, considerados fundamentais para minimizar os riscos de fracasso:

  • Implantar medidas de flexibilização de modo gradual, respeitando intervalos de pelo menos 14 dias entre reabertura de atividades administrativas, econômicas, sociais ou educacionais, para que seus efeitos possam ser monitorados continuamente;
  • Aumentar a capacidade de testagem para detecção de novos casos e monitoramento da prevalência na população;
  • Incrementar as equipes de Vigilância Epidemiológica para identificar contatos, determinar isolamento e quarentena e acompanhar grupos vulneráveis de alto risco;
  • Estimular continuamente a aderência da comunidade a medidas de etiqueta respiratória, higienização corporal e de ambientes, bem como a manutenção de medidas de distanciamento social e o uso constante de máscaras;
  • Considerar a implantação barreiras sanitárias de controle de acesso às cidades, identificando, testando e monitorando sintomáticos.



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