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Filho sofre perda do pai para o coronavírus em RR: ‘preferia estar passando fome, mas queria ter meu pai aqui do lado’ | Roraima


A família do aposentado Orlando Falcão, de 76 anos, há nove dias enfrenta o luto de ter perdido o patriarca para o coronavírus. Ex-militar e jogador de futebol, ele foi uma das 18 vítimas da doença, até essa sexta-feira (8), em Roraima.

Orlando morreu cerca de quatro horas depois de ter buscado atendimento no Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista. O filho, Oberdan Falcão, de 34 anos, relata que esses dias sem o pai – que deixou a esposa, dois filhos e três netas – têm sido difíceis.

“Ele saiu do hospital direto para a sepultura. Não pude ver meu pai sendo enterrado, só de longe. Eu preferia estar com a minha empresa falida, preferia estar desempregado ou até passando fome, mas queria ter meu pai aqui do lado”, resume Oberdan.

O diagnóstico positivo de Orlando para a Covid-19 saiu depois que ele gripou, foi até o HGR, mas não fizeram o teste para detectar o coronavírus e família decidiu fazer o exame na rede particular de saúde.

“Meu pai começou a apresentar sintomas de tosse e febre por volta do dia 20 de abril. Ele pensava que podia ser só uma gripe. O quadro deu uma piorada no domingo, dia 26. Chegamos no HGR e ele não apresentava febre, somente tosse. Fizeram a triagem e descartaram a Covid, sem nem fazer um exame, e mandaram a gente para casa”, lembrou o filho.

Orlando com o filho Oberdan, em Boa Vista — Foto: Oberdan Falcão/Reprodução/Facebook

Orlando com o filho Oberdan, em Boa Vista — Foto: Oberdan Falcão/Reprodução/Facebook

Quatro dias, já com o teste positivo para a Covid-19, Orlando passou mal com falta de ar em casa e foi levado às pressas para o hospital. Lá, ele foi entubado para receber ventilação mecânica, mas não resistiu.

Enquanto lida com a dor da perda, Oberdan indica os cuidados que cada um pode tomar para evitar a contaminação e disseminação do vírus letal.

“Gente, respeitem o isolamento social, tomem todos os cuidados possíveis, usem máscara, luvas, meu pai respeitou o isolamento social, não recebia visitas, mesmo assim não foi suficiente”, desabafou o filho em uma rede social.

Orlando foi militar do Exército na década de 50 e jogador de futebol no time roraimense São Raimundo em 1970. Ele foi a 8º vítima da Covid-19 no estado e, embora a secretaria estadual de Saúde tenha divulgado que o aposentando tinha comorbidades – outras doenças – , entre elas, cardiopatia, a família garante que ele levava a vida de uma maneira saudável, sempre rodeado da família e amigos.

*Com informações da Rede Amazônica



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