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Especialistas dão dicas de como idosos podem lidar com o período de isolamento social | Presidente Prudente e Região


O isolamento social, imposto pelo surgimento do novo coronavírus, tem mexido com a rotina e com o emocional de todos. Além da preocupação individual, cuidados com a higiene, com a saúde física e mental, é necessário ter mais atenção com o chamado grupo de risco, onde se enquadra os idosos, por exemplo.

Muito tem se falado sobre lavar as mãos, higienizar as superfícies e manter os idosos em casa. Mas como agir para que esse grupo de risco continue com qualidade de vida nesse momento tão delicado? Especialistas ouvidos pelo G1 respondem essa questão.

Praticar exercícios é importante na quarentena  — Foto: Cedida

Praticar exercícios é importante na quarentena — Foto: Cedida

Fixar uma rotina é essencial para que os idosos se sintam motivados. Nela, umas das principais atividades é a prática de exercícios.

Os mais indicados, conforme a personal trainer Letícia Paiva Blasechi, de Presidente Prudente, são os aeróbicos, aqueles que fazem utilização do oxigênio no processo de geração de energia dos músculos.

“Exercícios como andar, pedalar, nadar, correr, dançar, que elevem a frequência cardíaca mexendo com o sistema cardiovascular, pressão arterial. Exercícios resistidos, como fortalecimento muscular, não são indicados, pois nessa fase de ficar em casa a tendência é ficarmos muito sentados na mesma posição e o fortalecimento de costas e outros músculos são fundamentais. Por isso, é importante ter o acompanhamento sempre de um profissional para orientação”, explicou a personal ao G1.

Toda a prática exige cuidados, como a orientação de um profissional e respeitar o limite do próprio corpo.

“A importância de se exercitar nessa quarentena é justamente para melhorar o sistema imunológico, pois continua-se fazendo tudo normal, comendo, bebendo, até mais do que antes. Com isso, é necessário gastar energia, queimar calorias. Além de ajudar na parte psicológica, onde o idoso vai se distrair, além de todos os outros benefícios já citados”, acrescentou a profissional.

Durante a pandemia, Letícia disse ao G1 que as aulas onlines têm sido ferramentas fundamentais para os alunos, inclusive os idosos.

“Monto os exercícios específicos para cada um e mando vídeos. Depois entramos no processo da aula online por aplicativos, que nos ajuda na parte de correção e motivação desse aluno, além dele ter aquele compromisso marcado fazendo com que se motive mais”, ressaltou.

Praticar exercícios é importante na quarentena  — Foto: CedidaPraticar exercícios é importante na quarentena  — Foto: Cedida

Praticar exercícios é importante na quarentena — Foto: Cedida

Exemplo de motivação é o aluno Devanir Lemes Nantes, de 58 anos, morador de Presidente Prudente, que ainda não se enquadra no grupo de idosos, mas já toma todos os cuidados necessários durante a quarentena.

“Tenho tentado ao máximo seguir as orientações, saindo de casa apenas se for muito necessário. Tenho praticado atividades físicas. Tínhamos aulas em grupo todo sábado. Estamos agora fazendo duas vezes por semana, através de live. Não é a mesma coisa, mas nos adaptamos e está sendo proveitoso. A prática ajuda muito, embora com algumas limitações. É importante não perdermos o condicionamento adquirido, pois com minha idade ficaria muito complicado e mais difícil quando retornarmos a vida normal”, disse Nantes ao G1.

Alimentação na quarentena

Alimentação saudável faz toda a diferença no isolamento  — Foto: CedidaAlimentação saudável faz toda a diferença no isolamento  — Foto: Cedida

Alimentação saudável faz toda a diferença no isolamento — Foto: Cedida

Muita salada, legumes e frutas. Assim deve ser a alimentação dos idosos durante a quarentena. Mais natural e variada possível, conforme a nutricionista Patrícia Zacharias, de Presidente Prudente.

“É importante evitar alimentos processados. Deve ter muita salada, legumes e frutas, para ter uma quantidade ideal de antioxidantes, nutrientes estes que evitam a degeneração celular e o envelhecimento. Leite e derivados, pois são ricos em cálcio, que além de contribuir para a saúde dos ossos, auxilia no controle da pressão arterial e também é fonte de proteínas”, explicou a especialista ao G1.

Nas principais refeições do dia, a nutricionista reforça que carnes vermelhas e grãos devem ser consumidos, pois oferecem um aporte de ferro, que previne anemia e também são fontes de proteína vegetal para evitar a perda da massa muscular.

“Farelo de aveia é uma ótima opção, pois auxilia no controle da glicose, na redução do colesterol e previne o câncer de cólon, por ser rica em fibras aumenta a saciedade colaborando para a manutenção do peso, principalmente na quarentena. Peixes como salmão, atum e sardinha, que são ricos em ômega 3, são substâncias anti-inflamatórias, que auxiliam na prevenção do diabetes, dislipidemias, artrites, artrose, fibromialgia, entre outras”, explicou.

Alimentação saudável faz toda a diferença no isolamento  — Foto: CedidaAlimentação saudável faz toda a diferença no isolamento  — Foto: Cedida

Alimentação saudável faz toda a diferença no isolamento — Foto: Cedida

Nas principais refeições, a especialista explica que o ideal é que 50% do prato seja preenchido com arroz e feijão, que são carboidrato e proteína vegetal. Além de 25% com carne vermelha, branca, peixes ou ovos, que são proteínas animais, e os outros 25% devem conter vegetais, que são fontes de micronutrientes e antioxidantes importantes para o sistema imunológico

“É importante tentar seguir os horários de alimentação e beber pelo menos dois litros de água ao dia. Se estiver comendo muito, diminua o arroz e o feijão, evite farinha de mandioca, evite comer na mesma refeição arroz, batata, mandioca e farinha. Diminua a quantidades desses alimentos e aumente a ingestão de saladas, legumes e frutas. Coma doce no máximo duas vezes na semana e tente caminhar dentro de casa”, ressaltou a nutricionista ao G1.

O médico geriatra José Eduardo Pinheiro, de Presidente Prudente, reforça as recomendações das especialistas referentes a prática de exercícios físicos e alimentação correta.

Ele afirma que a atividade física é fundamental para a prevenção e controle de diversas doenças comuns do envelhecimento, que precisam continuar sendo monitoradas.

“As atividades físicas melhoram o funcionamento do sistema cardiovascular e respiratório, melhorando as condições de enfrentamento de doenças infecciosas como a própria Covid-19. Sem dizer que também as atividades físicas liberam endorfinas que são substâncias reguladoras no humor e dão sensação de bem estar”, explicou o geriatra ao G1.

O especialista relata que não existe uma receita pronta e única, que seja adequada para todos os idosos devido às diferentes condições cardiovasculares, musculoesqueléticas e de fragilidade.

“O importante é continuar fazendo atividades que já tenham sido orientadas pelos profissionais que os acompanhem, pois nem sempre todos exercícios de ginástica e aeróbicos se encaixam em todos os perfis”, acrescentou.

Em relação a alimentação, o geriatra fala que deve-se continuar realizando as orientações dietéticas específicas recomendadas para os problemas individuais de cada idoso, como a restrição de açúcar nos diabéticos e de sal nos hipertensos.

“De uma forma geral é interessante beber líquidos, ingerir alimentos saudáveis ricos em vitaminas e sais minerais, e ricos em proteínas úteis para a construção proteica muscular. Respeitar horários e intervalos para que o apetite e aceitação não fiquem comprometidos com hábitos e alimentos irregulares”, recomendou o médico.

A sensação da clausura ou a rotina monótona, conforme o geriatra, também interfere na emoção e indiretamente na saúde.

“É importante incrementar o cotidiano com variação de velhos hábitos ou incorporação de novos, para que as opções e atividades sejam múltiplas e de acordo com as habilidades individuais: criar um pet, cuidar de uma pequena horta ou jardim, ou simples vasos de flores, retomar atividades artesanais e manuais como costura, crochê, tricô, arte e marcenaria, organizar velhos documentos, rever álbuns de fotografias, separar roupas para doação, reorganizar gavetas e relembrar velhas receitas são formas de rechear de utilidade as horas de espera”, concluiu o especialista.



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