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De plantão no combate à Covid-19, médica agradece paciência do filho em Dia das Mães sem beijo ou abraço | Vale do Paraíba e Região


Dia das Mães sem abraçar a mãe. Dia das Mães sem ganhar um beijo do filho. Mesmo assim, o domingo (10) da médica Yara de Souza Machado, de Bragança Paulista, será de agradecimento. Na linha de frente contra o novo coronavírus, com plantões na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebendo pacientes em estado grave, Yara toma todos os cuidados do isolamento social. A mãe dela, que mora em Taubaté, este ano não vai receber visita da filha. E com o filho, isolado em casa, ela prefere evitar contato físico.

“Precaução nunca é demais. Sei que minha chance de contaminação é maior, porque estou no combate ao coronavírus. Então aqui em casa não tem beijo, abraço, nada. Temos a consciência de que um Dia das Mães com saúde é o melhor neste momento. Quando tudo isso passar, aí daremos milhões de abraços e beijos”, explica a médica.

O filho, Thiago Souza, tem 16 anos e também quer seguir carreira da medicina, assim como os pais. O distanciamento deles é algo que ele aceitou por saber que a mãe está fazendo o melhor para salvar vidas na pandemia.

“Minha mãe fala que é uma tempestade. E que vai passar. Tenho orgulho dos meus pais e da profissão deles. Estudo para um dia também trabalhar cuidando da saúde das pessoas”, conta o estudante.

A rotina da família é de trabalho, estudo, precaução e expectativa. Quando vai passar? Yara e o marido saem cedo de casa para o trabalho. O marido, Jocimar Antônio, também médico, não atua diretamente na área contra Covid-19. Enquanto os pais trabalham, Thiago está em casa com aulas online.

O almoço a mãe deixa pronto na geladeira, só para esquentar. E, muitas vezes, por conta de emergências, a família só volta a se reunir novamente na hora do “boa noite”.

Yara de Souza Machado atua na linha de frente contra o novo coronavírus em Bragança Paulista — Foto: Santa Casa Bragança/ Divulgação

Yara de Souza Machado atua na linha de frente contra o novo coronavírus em Bragança Paulista — Foto: Santa Casa Bragança/ Divulgação

“A paciência do meu filho neste momento é uma paz para mim. Ele sabe que essa é a minha profissão, é o meu trabalho e o quanto eu preciso estar lá na UTI para ajudar as pessoas. Tenho plantões de 12 horas, às vezes. Então temos que nos apoiar em família”, comenta Yara.

É o primeiro Dia das Mães que Yara passa sem ter a mãe por perto. Aos 78 anos de idade, Emery Neves de Souza vai aparecer apenas no celular para a família. Está isolada desde o dia 19 de março, em Taubaté, onde mora.

“Tenho fé, tenho esperança que em 2021 teremos um Dia das Mães de muitos beijos e abraços. De muita presença. Mas hoje a realidade é essa”, explica a médica.

Família de médicos de Bragança Paulista; filho Thiago também tem o sonho de ser médico — Foto: Santa Casa Bragança/ DivulgaçãoFamília de médicos de Bragança Paulista; filho Thiago também tem o sonho de ser médico — Foto: Santa Casa Bragança/ Divulgação

Família de médicos de Bragança Paulista; filho Thiago também tem o sonho de ser médico — Foto: Santa Casa Bragança/ Divulgação

“Alguns, infelizmente, ainda não acreditam na gravidade da pandemia. Se pudesse, apresentava a eles a rotina de uma UTI. Você ver, com seus olhos, um ser humano que não consegue respirar. Que puxa o ar, mas o ar não vem. Quem passa por isso, tenho certeza de que nunca mais vai duvidar ou reclamar. Reclamar por não poder beijar hoje, por não poder abraçar hoje. Calma, gente. A tempestade vai passar. Mas é uma tempestade perigosíssima. Então vamos ter todo cuidado do mundo”, recomendou.



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