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Cloroquina será usada para tratar pacientes com coronavírus em Boa Vista, diz Prefeitura | Roraima


O anúncio ocorreu após uma reunião, por vídeoconferência, entre a prefeita Teresa Surita (MDB) e o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, nesta quarta. O MS divulgou um novo protocolo sobre o uso dos remédios.

Boa Vista é o município de Roraima com o maior número de casos confirmados e óbitos em razão do coronavírus. No entanto, só possui hospital para atender crianças de até 13 anos. Adultos são encaminhados para o Hospital Geral de Roraima, que é administrado pelo governo do estado.

O diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, afirmou que os dois medicamentos só devem ser usados contra a doença em ensaios clínicos. Disse ainda que as substâncias possuem efeitos colaterais e não há comprovação de que funcionam contra o coronavírus.

Já o infectologista do Hospital da Criança Santo Antônio, Domingos Sávio, defende o uso de ambos os medicamentos para tratar pacientes infectados pelo coronavírus.

“A cloroquina é usada para o tratamento de malária e a hidroxicloroquina para doenças reumatológicas. Porém, viu-se, em estudos observacionais, que ela [cloroquina] consegue inibir a replicação do novo coronavírus e por isso está sendo usada, mas o paciente deve estar ciente de que, como todo medicamento possui efeito colateral, ele deve aceitar e o médico, se achar necessário [que o paciente use], deve prescrever”. Afirmou.

Sávio afirmou ainda que as mortes ocasionadas pelo coronavírus ocorrem pela alta quantidade do vírus no organismo. Desta forma, afirmou que os medicamentos diminuem a quantidade do vírus no corpo e consequentemente os efeitos da doença.

“Baseando-se nisso é que houve essa liberação [da cloroquina]”, afirmou o infectologista.

O medicamento estará disponível nas unidades de saúde de Boa Vista, incluindo postos, assim que a Prefeitura conseguir a aquisição das substâncias, informou o infectologista. No entanto, a cloroquina não deve ficar disponível para a população em geral.

O uso da cloroquina e hidroxicloroquina dependerá de uma avaliação médica que verificará se o paciente sintomático preenche os critérios estabelecidos para usar as medicações.

“A partir daí, se o médico achar que o paciente deve usar o remédio, ele prescreverá e o paciente deverá assinar um termo de consentimento livre esclarecido de que aceita fazer o uso da droga”, finalizou Sávio.

Estudos internacionais não encontraram eficácia no remédio e a Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda o uso. O protocolo de uso da Cloroquina foi, inclusive, motivo de atrito entre os dois últimos ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).



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