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Australiano que faz intercâmbio no Brasil fica em isolamento social com família de Bauru: ‘Muito diferente’ | Bauru e Marília


Um intercambista de 18 anos que saiu da Nova Zelândia no mês de janeiro para um intercâmbio cultural no interior paulista precisou permanecer no Brasil devido à pandemia do coronavírus. O jovem Keagan Vaughan McLean está em isolamento social com a “mãe” brasileira e sua nova família, em Bauru (SP).

Apesar da situação, o rapaz afirma que a nova família o está ajudando muito. “Não está difícil não. Todos são muito carinhosos e a minha família aqui é muito gentil. É muito diferente, mas não é difícil demais não”, afirma.

Keagan foi para a casa da professora de filosofia Michelle Godoy de Mattos, que tem uma filha de 17 anos que também iria fazer intercâmbio, mas precisou cancelar com a quarentena. Assim, ela precisou adaptar a rotina da família dentro de casa.

Ao G1, a professora afirmou que ela e o marido estão trabalhando em home office, e decidiu seguir uma quarentena restrita para evitar a transmissão do coronavírus, já que está isolada com o intercambista, a filha adolescente e o enteado de 25 anos.

“Ele teve a possibilidade de voltar. A maioria dos intercambistas voltou, mas ele gosta do Brasil e não voltou. Então, nós nos propusemos a fazer a quarentena rigorosa”, explica Michelle.

Em casa, Keagan fez bastante amizade com a filha de Michelle, Camila Santos Ceschin, que iria para um intercâmbio na Bélgica no meio do ano.

“Eu ia em agosto, mas a empresa vai adiar para janeiro. Eu fiquei meio chateada, mas também acabei ficando feliz por ficar mais tempo com o Keagan”, conta Camila.

Com isso, os três jovens e os pais precisaram aprender a conviver 24 horas por dia. Michelle dispensou a empregada e dividiu os serviços domésticos entre os moradores.

Keagan em selfie da família, tirada pela adolescente Camila, que teve o sonho de também virar intercambista adiado pela pandemia — Foto: Arquivo pessoal

Keagan em selfie da família, tirada pela adolescente Camila, que teve o sonho de também virar intercambista adiado pela pandemia — Foto: Arquivo pessoal

Apesar das pequenas brigas por causa do dia de lavar o banheiro e a organização de comida para as cinco pessoas, a professora garantiu que os “filhos” têm se dado bem durante a quarentena.

“Durante o dia, eles ficam mais no quarto e assistem série. Mas no fim do dia, a gente sempre se reúne, faz churrasco, um momento de descontração. Tem tipo um santuário da casa onde todo mundo se reúne e a gente acaba socializando. Tem sido bem agradável”, conta Michelle.

Além de adaptar a convivência na quarentena, Keagan precisou aprender os costumes brasileiros, além do idioma que ainda é um pouco difícil para ele.

“Os desafios são muitos porque culturalmente nós somos bem diferentes, mas a convivência tem sido pacífica porque ele é muito tranquilo. Ele tem um bom humor incrível, ajuda bastante e tudo ele topa. Ele come bem a nossa comida e gosta muito do Brasil”, conta Michelle.

Para comemorar o Dia das Mães, a família vai fazer um prato tipicamente brasileiro: feijoada. E para homenagear a “mãezona”, Keagan também pretende preparar um doce da Nova Zelândia.

“Eu vou ensiná-lo fazer feijoada porque ele nunca comeu. Ele chegou no verão, inclusive sofreu bastante com isso. E o Keagan está pensando em fazer um doce do país dele”, relata Michelle.

“A casa vai ficar um tédio quando Keagan for embora e Camila para o intercâmbio em janeiro. A quarentena tem sido especial e com bastante gente diferente, fica mais gostoso”.

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A “mãe” de Keagan, professora Michelle Godoy de Mattos (de preto), diz que a quarentena tem sido “especial” com sua casa cheia — Foto: Arquivo pessoal

* Colaborou sob supervisão de Paola Patriarca



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