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50 dias com o coronavírus: AP iniciou pandemia com piores taxas de leitos, médicos e respiradores do país | Amapá


Antes da pandemia, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Amapá estava entre os estados com as piores ofertas de leitos, respiradores e médicos. O estudo divulgado nesta semana teve como base informações de 2019 do Sistema Único de Saúde (SUS).

Respiradores: o estado era o último no país, com 10 aparelhos para cada grupo de 100 mil habitantes. O Distrito Federal, mais bem posicionado, tinha 63 a cada 100 mil habitantes.

Leitos: entre as acomodações, o Amapá era o penúltimo do Brasil, com 5 vagas para cada 100 mil habitantes atrás apenas de Roraima, com 4. Distrito Federal, também era o mais bem posicionado, com 5 vezes mais.

Médicos: em relação aos profissionais, o estado tinha a antepenúltima pior distribuição do Brasil, com 95 para cada 100 mil habitantes. Superando apenas Pará (85) e Maranhão (81).

Taxista que esperava leito ao lado de corpos e sem isolamento em Macapá também morreu de Covid-19 — Foto: José Geraldo/Arquivo Pessoal

Taxista que esperava leito ao lado de corpos e sem isolamento em Macapá também morreu de Covid-19 — Foto: José Geraldo/Arquivo Pessoal

Nem com o decreto de restrição de atividades e isolamento social assinado no mesmo dia do 1º caso de coronavírus, as infecções cessaram e logo a curva de crescimento, tímida em março foi subindo a partir de abril, onde no dia 4 foi confirmada a primeira morte.

A rede pública, desde então, decretou emergência e recebeu respiradores através de doações e envios do Ministério do Saúde. Centros de Atendimento à Covid-19 foram montados em Macapá, Santana e também estão previstos para chegar ao interior do estado.

O grande número de infectados, suspeitos e subnotificações lotou o sistema de saúde, deixando o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde da capital no limite e ocupando acima dos 80% os leitos clínicos e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Apenas nos 9 dias do mês de maio, o Amapá elevou em 100% o número de casos, saltando de 1,1 mil para 2,3 mil. As mortes quase dobraram, passando de 37 para 66. Confira no gráfico abaixo:

Acumulado de casos do novo coronavírus no Amapá, dia a dia

Primeiro caso foi confirmado em 20 de março; 1ª morte foi anunciada no dia 4 de abril

Fonte: Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COESP)

Também no mês de maio, na terça-feira (5) o coronavírus passou a ter infectados em todos os 16 municípios, sendo os com maior número de habitantes concentrando mais registros: Macapá, Santana e Vitória do Jari. Confira no gráfico abaixo:

Casos confirmados do novo coronavírus no Amapá, por município

Primeiro caso foi confirmado em 20 de março, em Macapá

Fonte: Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COESP)

Na capital, os bairros Santa Rita, Buritizal e Novo Buritizal são os que tem mais casos, acima de 80. No interior, chama a atenção a incidência em Laranjal do Jari: o bairro Agreste tem 67 dos 156 infectados do município até a sexta-feira (8), o equivalente a 42%.

Desde 4 de abril, a Covid-19 tirou a vida de 66 amapaenses de 10 municípios, mais de 40 deles da capital Macapá. Entre as comorbidades, informadas pelo governo, que mais atingiram esses pacientes foram a diabetes, cardiopatia, obesidade e tabagismo.

Os que as estatísticas não mostram com precisão são as vidas perdidas pela sobrecarga do sistema de saúde, com hospitais e postos lotados, falta de leitos, profissionais, ambulâncias e equipamentos.

Para o taxista Manoel Geraldo Chaves, de 63 anos, a luta contra a Covid-19 foi perdida na quarta-feira (6) após esperar por 3 dias por um leito de UTI no Hospital de Emergência (HE) em Macapá.

Antes de partir, ele conviveu com a morte de perto após estar internado ao lado de corpos de outros pacientes que morreram antes dele. Divergência entre governo e prefeitura sobre a remoção causou a cena que deixou familiares e acompanhantes chocados.

Covid-19: pacientes denunciam demora para retirada de corpos de dentro do HE de Macapá

Covid-19: pacientes denunciam demora para retirada de corpos de dentro do HE de Macapá

Descumprimento do isolamento

Na quinta-feira (8), a prefeitura de Macapá informou que o índice de isolamento na capital foi um dos menores registrados desde o início da quarentena. Apenas 40% da população se manteve em casa.

Reportagem publicada pelo G1 no mesmo dia com registros feitos no dia anterior, mostraram macapaenses nas ruas, com pequenas lojas abertas e muitos deles sem o uso de máscaras em locais públicos, inclusive crianças.

O reforço do isolamento social, estipulado para 70% da população como forma preventiva, é o que recomenda a Organização Mundial de Saúde (OMS) para achatar a curva da pandemia, que, segundo especialistas, ainda não parou de crescer no Amapá.

Crianças brincam sem o uso de máscaras em torno do Estádio Zerão; foto de quarta-feira (7) — Foto: Victor Vidigal/G1Crianças brincam sem o uso de máscaras em torno do Estádio Zerão; foto de quarta-feira (7) — Foto: Victor Vidigal/G1

Crianças brincam sem o uso de máscaras em torno do Estádio Zerão; foto de quarta-feira (7) — Foto: Victor Vidigal/G1



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